Proteção da Amazônia ou desregulamentação? O raio-x do comprometimento socioambiental dos candidatos ao Governo de Rondônia

Proteção da Amazônia ou desregulamentação? O raio-x do comprometimento socioambiental dos candidatos ao Governo de Rondônia
01/10/2026 [email protected]

À medida que a disputa pelo Governo do Estado ganha ritmo, a pauta ambiental ganha centralidade diante das recorrentes estiagens e do impacto direto da fumaça na qualidade de vida. Um levantamento técnico do Observatório Socioambiental de Rondônia analisou os Planos de Governo protocolados na Justiça Eleitoral pelos candidatos ao Palácio Rio Madeira, oferecendo um diagnóstico sobre o comprometimento das candidaturas com a preservação da Amazônia, a gestão territorial e a proteção social.

O Raio-X das Propostas: Como Cada Candidato se Posiciona

A avaliação do Observatório levou em consideração três pilares essenciais: combate a crimes ambientais, salvaguardas a territórios protegidos e viabilidade de transição produtiva sustentável.

Com base nos indicadores analisados, o Observatório estabeleceu a seguinte classificação oficial de comprometimento das candidaturas com a pauta socioambiental na Amazônia Legal rondoniense:

Ranking de Comprometimento Ambiental de acordo com o Plano de Governo

1º LUGAR: EXPEDITO NETTO (PT) – Transição Ecológica e Integridade Socioambiental
Justificativa: Apresenta a arquitetura de governança climática mais sofisticada e protegida contra cooptamentos mercantis. Estabelece restauração florestal massiva (50 mil ha), adota travas contra garimpos na venda de carbono, cumpre a Convenção 169 da OIT para territórios tradicionais, veta a privatização do saneamento (CAERD) e garante destinação orçamentária à agricultura familiar.

2º LUGAR: ADAILTON FURIA (PSD) – Governança Pública e Preservação de UCs
Justificativa: Demonstra o compromisso mais consistente com o fortalecimento das estruturas públicas estaduais e federais de fiscalização (SEDAM, IBAMA, ICMBio). Defende ativamente a gestão das Unidades de Conservação, o combate às queimadas e a proteção de territórios indígenas e quilombolas, mantendo a água como bem público.

3º LUGAR: PEDRO ABIB (MDB) – Transição Econômica e Regulação de Agrotóxicos
Justificativa: Consegue articular uma proposta sólida de transição produtiva que condiciona o crédito do agronegócio à regularização fundiária e ambiental efetiva. Inova ao ser o único a propor o controle de agrotóxicos e o acompanhamento de impactos da devastação.

4º LUGAR: HILDON CHAVES (UNIÃO) – Agro-Sustentável sem Estrutura de Fiscalização
Justificativa: Apesar de incluir a pauta da bioeconomia e das mudanças climáticas, sua abordagem é puramente voltada à modernização de fachada para exportação de commodities. Omitiu completamente qualquer medida de combate ao desmatamento, queimadas, garimpo ou proteção contra invasões.

5º LUGAR: SAMUEL COSTA (PSB) – Propostas Genéricas e Omissão Temática Alta
Justificativa: Embora apresente intenções progressistas pontuais (agroecologia e apoio a catadores), incorre em um silêncio quase absoluto sobre os grandes dilemas da governança ambiental de Rondônia (UCs, mineração, povos indígenas, regularização fundiária).

6º LUGAR: MARCOS ROGÉRIO (PL) – Anti-Ambientalismo e Desconstrução de Marcos Regulatórios
Justificativa: Classificado na posição mais prejudicial à governança socioambiental. Seu plano formaliza uma agenda de desconstrução da proteção ambiental na Amazônia: proíbe a criação de novas UCs, anistia infrações ambientais passadas, impede a punição imediata de desmatadores pela SEDAM, implementa licenciamento autodeclaratório sem checagem prévia em 48h e incentiva a expansão do garimpo aluvional.

O peso da Escolha nas Urnas 

Ao expor as prioridades e omissões registradas nos documentos oficiais das candidaturas, o levantamento do Observatório Socioambiental de Rondônia demonstra que os Planos de Governo dizem muito mais pelo que silenciam do que pelas promessas contidas em suas páginas. Em um cenário de vulnerabilidade climática crescente, a opção por omitir dados sobre desmatamento, agrotóxicos e direitos territoriais revela como a pauta socioambiental ainda é tratada por parte da classe política como agenda secundária, deslocada das decisões estratégicas de desenvolvimento do estado.

Diante do contraste direto entre projetos pautados pela salvaguarda climática e propostas voltadas à flexibilização de marcos regulatórios, cabe à sociedade civil, aos movimentos sociais e ao eleitorado rondoniense utilizar esses dados como ferramenta de cobrança informada e controle social no debate público até o dia da votação.